O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reformulou o Programa de Garantia a Créditos para Eficiência Energética (FGEnergia) para ampliar o acesso de micro, pequenas e médias empresas a financiamentos destinados à redução do consumo de energia e combustíveis. A mudança alcança companhias de diferentes setores e busca facilitar investimentos que podem diminuir custos operacionais e melhorar a competitividade.
De acordo com a Agência BNDES de Notícias, o custo da garantia será zerado até dezembro de 2027. O valor máximo garantido poderá chegar a R$ 10 milhões por empresa em cada instituição financeira, ampliando o espaço para projetos de maior porte em negócios que precisam modernizar instalações, substituir equipamentos ou reduzir desperdícios.
Mais instituições poderão operar a linha
Uma das principais alterações foi a integração do FGEnergia ao Fundo Garantidor para Investimentos (FGI). Com essa mudança, o número de instituições financeiras habilitadas a operar o programa passou de seis para 61. A expansão pode facilitar o acesso ao crédito em diferentes regiões do Brasil, ao aproximar a linha de empresas que não mantêm relacionamento com os operadores anteriormente autorizados.
Na prática, a garantia tem o objetivo de apoiar a contratação de financiamentos para projetos de eficiência energética. Esse tipo de investimento costuma exigir desembolso inicial e pode apresentar retorno gradual, especialmente quando envolve a troca de máquinas, a atualização de sistemas ou intervenções na estrutura de uma unidade produtiva. Para empresas de menor porte, essas características podem dificultar a obtenção de crédito.
O novo desenho do programa procura reduzir esse obstáculo ao oferecer cobertura garantidora e eliminar o custo correspondente durante o período definido pelo BNDES. A medida não transforma o financiamento em recurso não reembolsável, mas pode melhorar as condições para que as empresas apresentem projetos de redução do consumo energético às instituições participantes.
Diagnóstico gratuito orienta os investimentos
Além do crédito, o FGEnergia prevê diagnóstico gratuito de eficiência energética realizado por especialistas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A avaliação pode ajudar a empresa a identificar onde estão os principais pontos de consumo e quais medidas têm potencial para reduzir o uso de energia e combustíveis.
Segundo as informações divulgadas pelo BNDES, as empresas apoiadas pelo programa podem alcançar redução média de 10% nos custos com energia e combustíveis. O resultado, contudo, depende das características de cada operação, do diagnóstico realizado e das medidas adotadas. A média apresentada pela instituição não representa uma economia uniforme para todas as empresas participantes.
O diagnóstico também contribui para organizar o projeto antes da busca pelo financiamento. Em vez de concentrar a decisão apenas na compra de um equipamento, a empresa pode avaliar diferentes fontes de desperdício e priorizar intervenções com maior impacto sobre o consumo. Essa abordagem é especialmente relevante para negócios que precisam equilibrar a modernização da operação com a preservação do fluxo de caixa.
Eficiência energética ganha espaço na transição
A redução do consumo de energia e combustíveis é uma das frentes associadas à transição para uma economia de menor intensidade de carbono. Em empresas industriais e de serviços, usar menos energia para realizar a mesma atividade pode reduzir despesas e, ao mesmo tempo, diminuir a pressão sobre os recursos utilizados na operação.
O tema tem relação direta com a agenda de energia porque envolve produtividade, modernização e uso mais racional dos combustíveis. A adoção de equipamentos mais eficientes, a melhoria de instalações e a eliminação de perdas podem beneficiar empresas consumidoras sem depender exclusivamente da expansão da oferta energética.
Para as micro, pequenas e médias empresas, a ampliação do número de instituições habilitadas e o limite de até R$ 10 milhões por empresa aumentam as possibilidades de avaliar projetos de diferentes escalas. A aplicação dos recursos poderá ser analisada conforme as necessidades de cada negócio e as condições oferecidas pela instituição financeira escolhida.
Próximos passos para as empresas
Empresas interessadas devem procurar uma das instituições financeiras habilitadas a operar o FGEnergia e verificar a disponibilidade da linha para seu perfil. Também será necessário estruturar o projeto de eficiência energética e observar os critérios de análise do agente financeiro. A participação de especialistas do Senai no diagnóstico pode contribuir para definir as prioridades técnicas do investimento.
A reformulação anunciada pelo BNDES estabelece uma janela de acesso com custo de garantia zerado até dezembro de 2027. Para as MPMEs, o programa combina três elementos: a possibilidade de obter financiamento para reduzir o consumo, uma rede ampliada de instituições operadoras e apoio técnico para identificar oportunidades de economia. Conforme a Agência BNDES de Notícias, essa é a estrutura atualizada do FGEnergia.