O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) iniciou a etapa de aceleração de cinco soluções tecnológicas voltadas à redução de desperdícios na indústria. Executada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), a iniciativa faz parte da terceira chamada pública do concurso Lab Procel II, dedicado a projetos relacionados à Indústria 4.0.
As propostas selecionadas utilizam sensores, conectividade, análise de dados, automação e geração distribuída para melhorar o acompanhamento do consumo e do desempenho de processos industriais. O objetivo é transformar informações operacionais em decisões capazes de diminuir perdas, otimizar equipamentos e ampliar a competitividade das empresas brasileiras.
De acordo com a ENBPar, o encontro que marcou o início da aceleração ocorreu em 11 de setembro de 2026. A divulgação sobre a nova fase foi publicada em 29 de setembro. Em 30 de setembro, os cinco projetos estavam em desenvolvimento, testes, validação e aproximação com ambientes industriais.
Quais são as cinco soluções selecionadas
As empresas escolhidas na chamada pública são XMA.IA, Getter IA, Optimatech, Mestti e Aquapower. Cada uma apresenta uma abordagem diferente para enfrentar desafios relacionados ao uso de energia em fábricas, instalações industriais ou estruturas urbanas.
A XMA.IA desenvolve sensores destinados a ambientes industriais com condições severas, incluindo locais sujeitos a alta umidade e temperatura. Esse tipo de equipamento pode ampliar a capacidade de coleta de dados em áreas nas quais dispositivos convencionais enfrentam limitações de operação.
A Getter IA trabalha com uma plataforma voltada à relação entre produção e consumo de energia. A proposta é permitir uma leitura mais integrada dos indicadores industriais, ajudando a identificar como o desempenho produtivo se comporta diante da eletricidade utilizada em cada processo.
A Optimatech apresenta sistemas para identificar desperdícios em tempo real. Já a Mestti desenvolve ferramentas de acompanhamento de máquinas e processos, com foco no monitoramento contínuo das operações. As duas soluções apostam no uso de dados para localizar desvios e apoiar respostas mais rápidas dentro das unidades industriais.
A Aquapower, por sua vez, propõe pequenas turbinas hidrelétricas instaladas em tubulações industriais ou urbanas. A tecnologia busca aproveitar o fluxo de água já existente nesses sistemas para gerar energia, acrescentando uma alternativa de geração limpa sem depender necessariamente da construção de uma nova barragem.
O que a aceleração acrescenta aos projetos
A etapa de aceleração não se limita ao desenvolvimento técnico dos produtos. Conforme a ENBPar, os projetos passam por acompanhamento especializado, validação, testes, aperfeiçoamento dos modelos de negócio e aproximação com ambientes industriais reais. Essa fase é importante para verificar como as soluções se comportam fora do ambiente controlado de desenvolvimento.
Os projetos estão classificados entre os níveis de maturidade tecnológica TRL 5 e TRL 8. A escala, conhecida como Technology Readiness Level, indica o estágio de desenvolvimento de uma tecnologia. Nessa faixa, estão incluídas soluções que já passaram por validações relevantes e outras que se encontram próximas da aplicação operacional, embora ainda possam exigir ajustes antes da adoção em larga escala.
Na prática, a aceleração pode ajudar as empresas a transformar protótipos ou sistemas em produtos mais preparados para atender às necessidades de fábricas. Isso envolve testar a confiabilidade dos sensores, avaliar a qualidade dos dados coletados, medir a integração com processos existentes e verificar a viabilidade econômica de cada proposta.
Por que os dados são centrais para a eficiência energética
O consumo de energia industrial está ligado a variáveis como ritmo de produção, funcionamento das máquinas, condições ambientais e características de cada processo. Sem monitoramento detalhado, perdas podem permanecer ocultas ou ser identificadas apenas depois que provocam aumento de custos ou queda de desempenho.
As soluções do Lab Procel II atuam justamente nessa lacuna. Plataformas digitais podem cruzar consumo e produção; sensores podem ampliar a visibilidade sobre ambientes e equipamentos; sistemas em tempo real podem apontar anomalias; e ferramentas de acompanhamento podem apoiar decisões de manutenção e operação.
Esse conjunto de tecnologias também se relaciona à modernização da indústria brasileira. Ao integrar automação e análise de dados, as empresas podem buscar maior previsibilidade operacional e utilizar a energia de maneira mais racional. A geração por pequenas turbinas acrescenta outra frente ao esforço, ao aproveitar fluxos hidráulicos disponíveis em estruturas já existentes.
Os cinco projetos ainda estão em uma etapa de desenvolvimento e validação. Por isso, a aceleração será determinante para indicar quais soluções conseguirão avançar para aplicações industriais mais amplas e em quais condições cada tecnologia apresenta melhor desempenho. O Lab Procel II coloca, assim, a eficiência energética na indústria em uma agenda que combina inovação tecnológica, redução de perdas e transição para formas mais limpas de produção de energia.