Entre os principais desafios de um projeto de design de interiores está a organização coerente do espaço antes de qualquer decisão estética. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, percebe que projetos bem-sucedidos partem sempre de uma leitura cuidadosa das necessidades reais dos usuários, do fluxo de circulação e das atividades que cada cômodo precisa comportar. Sem esse mapeamento inicial, até os materiais mais sofisticados perdem eficiência dentro de um espaço mal concebido.
Circulação e zoneamento: a base invisível de um bom projeto
O zoneamento de um ambiente define, antes de qualquer elemento decorativo, quais áreas serão destinadas ao repouso, ao convívio, ao trabalho ou à alimentação. Quando esse mapeamento é feito com precisão, o resultado é um espaço que funciona de forma intuitiva para quem o habita. Conforme indica Daugliesi Giacomasi Souza, ambientes que ignoram o zoneamento tendem a gerar sensação de acúmulo mesmo quando bem decorados, porque a disposição dos elementos conflita com o modo natural de circulação das pessoas dentro do espaço.
Somado a isso, a largura dos corredores e o espaço entre móveis são variáveis que afetam diretamente o conforto e a acessibilidade. Normas técnicas recomendam pelo menos 60 cm de passagem em áreas de circulação secundária e 90 cm em corredores principais. Respeitar essas medidas não é apenas uma questão técnica: é uma decisão que impacta a experiência cotidiana de todos os moradores, especialmente crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Multifuncionalidade e a adaptação dos ambientes ao cotidiano contemporâneo
A vida contemporânea impõe demandas variadas ao mesmo espaço. Um ambiente que funcionava exclusivamente como sala de jantar precisa, em muitos lares, comportar também reuniões de trabalho, atividades escolares e momentos de lazer. Na concepção de Daugliesi Giacomasi Souza, o planejamento de interiores moderno precisa antecipar essa multiplicidade de usos e propor soluções que garantam funcionalidade sem comprometer a identidade visual do ambiente nem a experiência dos usuários.

Móveis com compartimentos internos, estantes modulares e divisórias móveis são recursos que ampliam as possibilidades de uso sem exigir reformas estruturais. O planejamento inteligente transforma a limitação de metragem em oportunidade criativa, e é justamente nesse ponto que a atuação de um profissional de design de interiores demonstra seu valor real para quem contrata o serviço.
Personalização como estratégia de bem-estar nos espaços residenciais
Um ambiente que reflete a personalidade de quem o habita produz uma experiência diferente de um espaço decorado apenas com apelo estético genérico. A personalização vai além da escolha de cores e texturas: envolve o entendimento dos hábitos, das referências culturais e das preferências sensoriais dos moradores. Daugliesi Giacomasi Souza entende que esse processo de escuta ativa é o que permite criar projetos que permanecem relevantes ao longo do tempo, sem depender de renovações frequentes para continuar agradando.
Do mesmo modo, elementos biográficos incorporados ao projeto, como peças herdadas, fotografias integradas à decoração ou materiais com significado afetivo, criam vínculos emocionais com o espaço que nenhuma tendência de mercado consegue substituir. Torna-se evidente, portanto, que o design de interiores residencial mais eficaz é aquele que parte do comportamento e das relações das pessoas com os ambientes que constroem.
Tendências de organização de ambientes e o impacto no comportamento dos moradores
O debate em torno da organização de ambientes ganhou força nos últimos anos a partir de um conjunto de pesquisas que relacionam desordem visual com aumento dos níveis de estresse e redução da produtividade. Ambientes organizados e com poucos elementos desnecessários favorecem o foco, a sensação de controle e o bem-estar mental dos moradores. Daugliesi Giacomasi Souza acompanha esse movimento com atenção, reconhecendo que a organização do espaço físico não é apenas uma questão de estética, mas uma variável que interfere diretamente na qualidade de vida das pessoas.
Em linha com esse raciocínio, tendências como o minimalismo funcional e o conceito de design biofílico, que incorpora elementos naturais ao interior, respondem a uma demanda real: ambientes que acolham, que acalmem e que estejam alinhados com o ritmo de vida de quem os habita. O que esse percurso demonstra é que o planejamento de espaços, quando bem conduzido, é também um investimento em saúde e qualidade de vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez