Segundo o especialista Alex Nabuco dos Santos, compreender o que o Brasil pode aprender com o mercado europeu é um exercício essencial para investidores e gestores que buscam perenidade no setor imobiliário. A maturidade das cidades europeias oferece um roteiro de boas práticas que abrange desde a eficiência do planejamento urbano até a sofisticação dos modelos de financiamento. Continue a leitura e veja que para o cenário brasileiro, observar esses exemplos não significa replicar fórmulas prontas, mas sim adaptar conceitos de sustentabilidade e conservação que já provaram sua eficácia ao longo de décadas.
O planejamento de longo prazo do mercado europeu
Uma das lições primordiais que o Velho Continente oferece é a cultura do planejamento urbano intergeracional. Enquanto no Brasil os projetos muitas vezes sofrem com a descontinuidade política, as cidades europeias operam sob planos diretores que visam décadas de desenvolvimento constante. Essa estabilidade cria um ambiente de negócios previsível, onde o valor do metro quadrado não depende apenas de ciclos econômicos passageiros, mas de uma estrutura urbana sólida.
Como indica Alex Nabuco dos Santos, a valorização do espaço público é um dos pilares desse sucesso. Ao priorizar áreas de convivência e a integração entre diferentes modais de transporte, o mercado europeu consegue manter a atratividade de centros históricos e bairros residenciais antigos. Essa abordagem reduz a necessidade de expansão horizontal desordenada, problema que ainda desafia as grandes metrópoles brasileiras e encarece a manutenção dos serviços públicos.
Sustentabilidade e reabilitação urbana no contexto europeu
Outro ponto crucial sobre o que o Brasil pode aprender com o mercado europeu reside na reabilitação de edifícios antigos. Na Europa, a demolição é frequentemente a última opção; prioriza-se o retrofit, que consiste na modernização tecnológica de estruturas históricas. Essa prática preserva a identidade cultural da cidade e, simultaneamente, atende às exigências contemporâneas de eficiência energética e conforto térmico.
Como aponta Alex Nabuco dos Santos, a economia circular aplicada à construção civil na Europa reduz drasticamente o desperdício de materiais. No Brasil, o setor ainda lida com altos índices de entulho e perdas durante as obras, o que impacta o custo final da unidade habitacional. Adotar tecnologias que permitam a reutilização de estruturas e o uso de materiais sustentáveis é um caminho necessário para que o mercado nacional alcance novos patamares de excelência e responsabilidade ambiental.

Segurança jurídica e a maturidade dos contratos
A confiança do investidor no mercado europeu é sustentada por uma segurança jurídica robusta. Os contratos de locação e as garantias imobiliárias possuem regras claras que protegem tanto o proprietário quanto o inquilino, minimizando os litígios e acelerando a resolução de conflitos. Essa previsibilidade é o que permite a entrada de fundos de pensão e grandes investidores institucionais que buscam retornos estáveis e de baixo risco.
De acordo com Alex Nabuco dos Santos, a simplificação burocrática nos processos de transferência de propriedade e licenciamento de obras é um exemplo a ser seguido. No Brasil, o excesso de cartórios e a lentidão dos órgãos municipais muitas vezes desencorajam o capital estrangeiro. O aprendizado aqui reside na digitalização e unificação de processos, garantindo que o mercado flua com agilidade e transparência, elementos fundamentais para a atração de novos aportes em infraestrutura habitacional.
As perspectivas para o cenário nacional
O intercâmbio de ideias entre os dois continentes revela que o futuro da habitação está na inteligência aplicada ao uso do solo e no respeito à memória urbana. O Brasil possui um potencial criativo imenso, mas carece da organização sistêmica que caracteriza o ambiente de negócios europeu. Ao alinhar inovação tecnológica com as lições de conservação e planejamento, o país pode saltar etapas no seu desenvolvimento.
Como conclui Alex Nabuco dos Santos que a integração entre moradia, trabalho e lazer em curtas distâncias é o maior legado que podemos importar. Ao reduzir a dependência de veículos e fomentar bairros autossuficientes, as cidades brasileiras não apenas se tornam mais sustentáveis, mas também oferecem uma rentabilidade mais segura para quem investe. Em suma, o aprendizado é contínuo, e as soluções europeias servem como um farol para um mercado imobiliário nacional mais maduro, ético e eficiente.
Autor: Lissome Pantor