De acordo com Aldo Vendramin, a política comercial exerce influência direta sobre o desempenho das commodities do agronegócio, especialmente em economias abertas e integradas ao comércio internacional. Além de afetar o volume exportado, a política comercial interfere na previsibilidade das receitas e na atratividade do setor para investimentos. Decisões tomadas no âmbito institucional repercutem ao longo de toda a cadeia produtiva, influenciando custos, margens e estratégias de expansão.
Compreender os mecanismos da política comercial, portanto, torna-se fundamental para interpretar o comportamento das commodities no mercado global.
Acordos comerciais e acesso a mercados internacionais
Os acordos comerciais, sejam bilaterais ou multilaterais, desempenham papel central na definição do acesso das commodities agrícolas a mercados estratégicos. Na avaliação de Aldo Vendramin, a redução de tarifas e a harmonização regulatória ampliam a previsibilidade das exportações e fortalecem a segurança jurídica das operações. Políticas comerciais bem estruturadas favorecem ganhos de escala e estimulam investimentos produtivos, permitindo a ampliação do acesso a novos mercados e a diversificação da pauta exportadora.

Em contrapartida, a ausência de acordos ou a adoção de posturas protecionistas tende a restringir fluxos comerciais e pressionar margens. Nesse cenário, a capacidade de negociação internacional consolida-se como um ativo econômico relevante, criando um ambiente mais estável para produtores e exportadores e influenciando decisões estratégicas de longo prazo.
Tarifas, subsídios e distorções de mercado
Tarifas de importação e subsídios concedidos por governos estrangeiros afetam diretamente a formação de preços das commodities agrícolas. Sob a ótica de Aldo Vendramin, o uso recorrente desses instrumentos gera distorções que comprometem a concorrência e penalizam produtores mais eficientes. Mesmo cadeias produtivas competitivas podem enfrentar desvantagens artificiais em função dessas práticas.
A manutenção de subsídios agrícolas em grandes economias tende a pressionar os preços internacionais, reduzindo a rentabilidade de exportadores, especialmente em países em desenvolvimento. Diante desse cenário, a atuação em fóruns multilaterais surge como alternativa para mitigar desequilíbrios estruturais. Instrumentos de defesa comercial, quando bem aplicados, contribuem para reduzir impactos negativos e preservar a competitividade do agronegócio.
Volatilidade regulatória e planejamento produtivo
Mudanças frequentes na política comercial introduzem elevado grau de incerteza para produtores e exportadores. Conforme observa Aldo Vendramin, a instabilidade regulatória dificulta o planejamento produtivo, uma vez que decisões sobre investimento, plantio e comercialização dependem de expectativas minimamente estáveis.
A volatilidade regulatória também pode comprometer contratos de longo prazo e relações comerciais consolidadas. Em mercados globais altamente competitivos, a previsibilidade institucional torna-se um diferencial estratégico. Assim, a coerência entre discurso político e prática regulatória assume papel central na redução de riscos e custos operacionais, favorecendo decisões mais racionais no setor produtivo.
Política cambial, comércio exterior e competitividade
A política comercial não atua isoladamente, estando diretamente relacionada à política cambial. Na análise de Aldo Vendramin, variações no câmbio podem potencializar ou neutralizar os efeitos de tarifas e acordos comerciais, influenciando a competitividade das commodities agrícolas.
A coordenação entre política comercial e política cambial permite respostas mais eficazes a choques externos. Em períodos de retração global, ajustes articulados tendem a suavizar impactos sobre exportações. Em contrapartida, a ausência dessa coordenação amplia vulnerabilidades estruturais. Dessa forma, a competitividade das commodities depende de um conjunto integrado de políticas econômicas alinhadas.
Impactos de longo prazo sobre a estrutura do agronegócio
As decisões de política comercial produzem efeitos que se estendem além do curto prazo. Escolhas recorrentes em favor da previsibilidade e da integração internacional estimulam ganhos de produtividade, inovação e modernização das cadeias produtivas. Políticas consistentes também favorecem a atração de investimentos e o aprimoramento da infraestrutura logística.
Aldo Vendramin enfatiza que estratégias protecionistas prolongadas podem gerar acomodação produtiva e perda de dinamismo setorial. Sob essa perspectiva, a política comercial atua como indutora ou limitadora do desenvolvimento do agronegócio. Compreender os impactos estruturais dessas políticas é essencial para avaliar o futuro do setor. Ao alinhar interesses comerciais, produtivos e institucionais, constrói-se uma base mais sólida para o crescimento sustentável e competitivo das commodities do agronegócio brasileiro.
Autor: Lissome Pantor